segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

-O que é preciso pra ser feliz?
-Já falamos sobre isso. Várias vezes... Sempre achamos que é algo especifico, geralmente algo que queremos muito naquela hora, e depois mudamos de ideia e tentamos descobrir de novo.
-Podia só dizer que não sabe.
-Não sei. Mas sei que vais tentar me fazer descobrir... De novo...
-Vou.
-...

-Sabe, estive muito triste ultimamente, vivendo no "piloto-automático" que tanto desprezava nos outros. No entanto, hoje o dia foi bom! Fluiu bem, me senti feliz e estou sorrindo com minhas musicas as onze e quarenta e quatro da noite, mesmo sabendo que vou acordar amanhã bem cedo pro trabalho.

-Que bom, quer dizer que seu cérebro está funcionando direito.

-Acho que é o fim.

-Já passou da hora. Vá ser feliz!

-Quero ser feliz. Mas tenho medo. E ela?

-Ela já está sofrendo. Ela percebe sua infelicidade, você faz tudo pra deixar claro.

-Será que devo tentar reconquista-la?

-Você quer isso?

-Não.

-Então porque tentaria? Só pra fingir? Pra faze-la feliz com uma ilusão temporária? Se aquele homem que rejeitou morfina visse isso, ia te bater.

-Se ele me batesse talvez a dor me fizesse acordar.

-Ou desmaiar...

-Idiota.

-Quanto amor próprio...

-Será que deixar que acabe aos poucos é melhor?

-Acredito que sim. Até agora tem dado certo. Primeiro vem as brigas, depois a raiva, e se fizermos certo, antes do ódio virá a indiferença. Ela é útil.




E depois de ultrapassar todos os limites do copo que nos continha, transbordamos...
...
   ...
     ...
Promovemos nosso relacionamento de copo a jarra. Porque dizem que no copo se bebe sem compromisso mas, com uma jarra se enche vários copos...
O que enchia o copo e saciava, na jarra não era nada. A jarra agora mal parecia conter um copo.

Por quê?  Não sei.

domingo, 1 de maio de 2016

Just (in)sights of numbness

 Oh god it feels like forever... But forever feels like home, sitting all alone, inside your head.
How long does forever last? What if we could really live all this time?
I've wished it once. From the very bottom of my soul. I had written about it. I had tried to make a deal with the devil, in a text but I tried...
Lately life had felt like forever. I'm in a good job, almost married. I've got a car and a house, though I'm only 23. Some may even envy me, and just a bit time ago I could be really proud of that.

The truth is that I'm slowly going numb. No drugs, mindsickness, just life.

Today she yield at me. I didn't care. I just kept listening to my music while I was tiping this text.

I wonder if, being imortal, there would be something to care at all.

1-Music still touches me, but there was a time when some songs would make me cry of joy...
2-Poetry seems depressed, or silly.
3-My womanizer time is gone, not to say that it had barely been here...
4-Both the sunsets and the moonlight are just sights.


-Volto a querer querer algo. O que? Não sei.
-O que é dessa vez?!
-É isso que quero saber. Tem algo haver com viver, pagar as contas e ser feliz.
-Não és?
-Não sei bem o que é ser, que dirá se sou.
-Dizias não ligar para o que pensam. Ainda acha isso?
-Não. Tenho tido a necessidade de contar meus "planos de grandeza" para todos, tentando não me sentir tão fracassado.
-Sabes que não somos fracassados.
-Sempre depende do referencial.
-Estou prestes a fazer 25 anos -Exclamação contida!-
-E dai?
-Pois é. Quero ser milionário antes dos 30, ou melhor, queria. Acho que não dá mais.
-Só vais ser feliz se for milionário?
-Sequer sei se isso vai me fazer feliz, mas por hora parece uma boa ideia.



quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Eu's meus - pt 3

Certo de incertezas redundantes, resolveu escrever sobre o que sentia -Já não podia falar de outra coisa.

-Quando começamos essa conversa, há anos atrás, nada importava muito, a não ser suprir a falta de conversas satisfatórias. Hoje, isso parece ser o de menos. Tornamo-nos cada vez mais lacônicos, perdidos em nós mesmos, Nunca achei que, em um universo inteiro, minhas palavras perderiam-se no caminho entre lobo frontal e boca.

-Existem contas, quase tão longas quanto aquelas barganhas, que de tão mal feitas não foram finalizadas. É necessário arcar com o preço de viver. Responsabilidade é sinônimo de crescimento. Seja grato pelo que temos. Pare de alimentar a utopia das realizações plenas. Se um dia alcançássemos o balanço ficarias entediado.

-Estou entediado agora, e sem objetivos reais. As vezes minto para mim mesmo tentando acreditar que quero ser medico, ou psicologo. Não sei o que quero fazer da vida. Aliás, parece-me muito errado ter que querer fazer algo pela vida inteira. Seja lá quanto tempo isso vá ser.

-Sei disso, lembre-se que sou você, ou melhor: somos eu. Quanto a necessidade de eternizar vontades efêmeras: Pode não ser tanto tempo assim. Independente disso, o caminho é que importa, lembra?

-As vezes lembro, e nesses dias sou feliz. Noutros dias esqueço, mas sou mais feliz ainda quando deixo de pensar em tudo isso. Infelizmente: entorpecido. Essa droga de rotina é mais forte que a morfina daquele enfermeiro.

-Já tivemos rotinas adoráveis, o problema é a falta de vontade. O que queremos afinal?

-Como sempre: quero querer algo. E você?

-Não sei.

-Não sabemos*.

...

domingo, 11 de outubro de 2015


Caçávamos animais, para viver
hoje caçamos sentidos, para a viver
Cansamos rápido,
Casamos rápido...
Temos vivido devagar,
à devagar...
De vagar, sem sair daqui.

sábado, 10 de outubro de 2015

Children, don't stop dancing. Believe: you can fly!

As vezes ouvimos musicas quase aleatórias, que trazem memorias nem tão aleatórias assim. Hoje, ouvindo uma delas, que deu titulo a essa postagem, me lembrei das diversas vezes em que filmes, series ou livros, referiam-se a "adultos" entre dezoito e talvez vinte e tantos anos como "crianças". Muitas vezes isso se deve ao momento histórico em que a narrativa se passa, outras vezes se trata de imaturidade, mas em alguns poucos casos refere-se ao fato de ser ou não "criança".

Biologicamente, já foi fácil intitular alguém como criança, fosse por idade cronológica ou por experiencia de vida. Será que é tão simples assim?

Não me entendam mal, por tal rotulo "criança" não quero eximir-me de responsabilidade, mas há um trecho de certo livro que explica isso melhor:

"Todas as crianças nascem bem na ponta dos finos pêlos do coelho. Por isso elas conseguem se encantar com a impossibilidade do número de mágica a que assistem. Mas conforme vão envelhecendo, elas vão se arrastando cada vez mais para o interior da pelagem do coelho. E ficam por lá. Lá embaixo é tão confortável que elas não ousam mais subir até a ponta dos finos pêlos, lá em cima. Só os filósofos têm ousadia para se lançar nesta jornada rumo aos limites da linguagem e da existência."           (Jonstein Gaarder)

Talvez seja só outra crise de idade. Sim, sou jovem. Sim, assim como todos, estou envelhecendo,

Tenho 24 anos, e vou me mudar(Pela primeira vez na vida!). Vai ser "minha casa"(financiada pela caixa, mas assim que pagar será minha sem aspas). Então por que estou assustado? Qual a relação de me mudar para minha primeira casa(própria) com o paralelo de ser-ou-não-ser-criança?

É simples, mas vou explicar. Recentemente meus amigos começaram a me chamar de "tiozão". Tive uma assembleia de condomínio na qual eu tinha pelo menos uns 10 anos a menos do que a maioria e talvez 20 anos a menos que a metade dos membros.

Perguntas do meu "eu questionador"
-Que diferença isso faz para a humanidade? -Nenhuma.
-Até que ponto isso nos ajuda a encontrar um sentido para a vida? -Nem que seja a nossa? Não ajuda.
-Para quem você está escrevendo isso? -Para mim mesmo, ou quem sabe para ninguém.

-Plausível...
-Para um monologo.


terça-feira, 16 de junho de 2015

So close, no matter how far (Of whatever the hell I wanna be)

-Hora de voltar, 19:52?
-Agora, que seja. Pra onde?
-Pra frente. Não em linha reta, talvez em caracóis, passando rapidamente por algumas memorias.
É hora de tentar olhar as coisas de um modo diferente.
-"Não ligue para o que dizem, não liguem para o que eles fazem e sabem, você sabe"
-"Nada mais importa?"
-Algum dia já importou?
-Me importei.
-Não comece. Ou melhore, comece com algo novo, esses diálogos já estão manjados.
-Então vamos lá, Que todo dia haja algo novo!

terça-feira, 10 de março de 2015

Outro dia perdido. Vi a borboleta amarela na janela... Ela não pousou. O céu está cinza e tem roupas no varal. O que fazer?

Uma voz vinda de uma musica aleatória diz para por a mochila nas costas e para onde a vontade levar (Lembrei de quando odiava depender do vento...)

Quero querer algo... Quanta cacofonia...

Tenho ensinado muito... Acho que está passando da hora de aprender. O que quer que seja. Quero só querer. Quero saber, perceber que estou errado, esquecer e recomeçar.

Em outra profissão, outra razão. Seja lá qual for.

Deveria ter seguido aquela borboleta...


sábado, 5 de abril de 2014



Amarela: como o ouro, só que mais valiosa, só pela imagem.

Livre: voava em direção ao sol; voava só.

Faltava-lhe metade de uma asa: metade da metade de sua liberdade.
Ela: 1/4 mais presa. Eu: lembrei-me do quarto que um dia me aprisionou...
Andei até lá, sai da fila e a salvei.

Não... Ela que me salvou. Todos os dias algo me salva...
Houve um tempo em que minha voz voava...
Quando o único momento mudo era o verbo, e como eu mudava...
Mudava de assunto e de ideia, mudava o que era e o que jamais seria...
Retinha reticências e inalava essências temporárias de ser...


               Houve...

Na constância de mudar, mudei, emudeci...

Muitos eus morreram, e poucos renasceram.

Hoje estou mudo, em um silêncio de ser...
Dizem que a palavra faz o mundo. Minhas palavras mal fazem sentido...


Novamente sinto muito, só que dessa vez é por sentir pouco.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Meu perfil do orkut... Boas lembranças...(Suspiro)

Sou tanto de mim quanto sou de cada um que já conheci.
"insistir, persistir e desistir "



''quase sempre no quase...
quase alcançando, quase cansado...
quases consecutivamente colocados, que quase ecoam...
por quase todas as fases...

Vidas quase perdidas por rotinas, ou quase perfeitas por acasos...

Tantos quases que quase sempre são esperançosos

Tantos sempres que quase nunca são eternos...

Juras, sonhos, esperanças... E uma palavra chave, que quase abre a porta...

Mas as vezes quase(,) não é suficiente...''

Amilton.


'' O tempo não mistura datas, momentos, pessoas e nem as formas com as quais ele passa. Ele simplesmente não para, mesmo que pare de correr e comece a se arrastar, mesmo que esteja tão rápido quanto a luz e faça esta parecer parada, deixando tudo escuro, por mais que existam momentos que nós pareçam eternos... para o tempo a eternidade é só o período de um piscar de olhos na frente de alguém que amamos.''
 Amilton.

-Sometimes i hurt myself to know that i'm alive... I'd thought about the death... Trying to understand what's life...

-"Some people belive in god, some people belive in music... i've been searching for something that i could belive..."
(adaptado)

-A vida não para pra esperar pessoas que perdem tempo se arrependendo, então, não pare ou pode se arrepender, nem se arrependa ou pode parar. 
(Amilton)
-E para ele tudo era bom, tudo era perfeito, até que ele viu o futuro na frente dele e não parecia nada bom...Ele procurou algo pra se motivar e quando não achou, se motivou só por se motivar . (eu sempre converso com ele  *0* ) 
(Frescura)

-Nem tristeza nem raiva nem dor somente a velha rotina ,que nos leva ao inferno e ao céu nessa praga chamada dia a dia ...(* eu que odeio rotinas fiz um horario para me '' organizar '' ) 
Amilton. (Sim, eu falo sozinho as vezes, e ai ?!)

-onde já se viu o mar apaixonado por uma menina ? porque ele não se apaixona por uma lagoa? por que a gente nunca escolhe de quem vai gostar .. ( teatro mágico ) 
(minha quase banda favorita *-*)
.



segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A luz da praça se apagou. Não a luz de qualquer praça, mas a de uma especifica: A praça aonde nos encontrávamos todas as noites.

A luz nunca tinha sido realmente importante, aliás, a falta dela sempre garantiu que clima fosse adequado ao romance.

No entanto, naquele dia nublado a treva era maior do que o aconchegante lençol de penumbra que sempre acolia os amantes

A sombra escondeu-os, fazendo com que só pudessem procurar um pelo outro através do tato...

E lá foram eles, tateando a praça, cada árvore, cada flor e banco. Havia uma esperança somada com expectativa, enquanto cada um assoviava de um lado da praça sua canção favorita

Já tinham usado essa tática antes, no entanto dessa vez era diferente. Nos duetos anteriores cada um tinha feito participação com uma melodia diferente e embora tivessem gostos parecidos, tinham diversas canções favoritas então nunca coincidiam.

Não dessa vez! Naquela noite escura, finalmente cantarolaram no mesmo tom: As mesmas notas, no mesmo ritmo e com a mesma emoção cega.

Seguiram as notas apaixonadas, e escalaram todas as notas exceto SOL, talvez já tivessem entendido que o sol não cabia na opacidade da melodia que compunham juntos.

Os sopros de respiração cantante iam ficando mais próximos, até que um já podia sentir o ar que os pulmões do outro expulsava em formas de sustenidos e bemóis. Até que: Silencio!

Os sons calaram-se e mais nada se ouvia naquela noite.

Ela, romântica como sempre, sonhou com ele durante toda a noite, ansiosa pelo despertar daquele sono - que seria rompido com uma realidade ainda mais linda.

Na manhã seguinte a luz já havia instalado-se no coreto que tinha sido palco daquele amor shakespeariano. A única coisa que restava da noite anterior era o silêncio.

Ele acordara primeiro, e temeroso por interromper o sono de sua amada, sutilmente beijou sua face. O som do beijo, ainda que quase um suspiro, foi suficiente para acorda-la.

Ela sorria abrindo os olhos lentamente. Sua visão era turva da noite passada, até que avistou seu companheiro e deu um passo pra trás.

Viu que ele não era seu amante.

Assustou-se por ver que tinha passado a noite com um desconhecido! Culpou-se por ter traído aquele para quem ela tinha jurado amor.

Ele observou calado, e disse:- Pelo contrario, você não traiu a ele, e sim a mim. Veja o que sentimos, veja como estamos no mesmo tom...

domingo, 28 de julho de 2013

Walk through the path which was imposed to you by those who had been imposed to be what they are...
Get yourself lost in the middle, trying to find a way out of this meaningless journey - Believe, doubt, became skeptic-

Forget everything and everyone, including your own version of self.

Wonder as many reasons as can be wondered by one to explain it.

Trust whatever you're still able to trust... Take that as the only reason for being alive, justify your existence with that...
                 




 forget the questions once more...







quarta-feira, 1 de maio de 2013

2010...2013
             Abril.... Maio... Morte...
Minha? Não!

   De algo em mim. Talvez até Dezembro...
Tenho ainda fé, em fevereiro tem carnaval!
                                                                         Junho, juro,
Ajoelho-me, em Julho...

Janeiro? Já nem sei em mês estou...

                                                                              O que importa? Eu? Com quem? Por que? Pra quem?
                   Pra mim???

Quem sabe? - Eu não sei-

                Se soubesse não perguntaria....
-Perguntar o que?
-Que dia é hoje?
-Que diferença faz?
-Nenhuma.






domingo, 30 de setembro de 2012


Amigo-Apaixonado-inseguro: Gosto de uma garota, tu conheces ela.

Amigo-Metido-a-Poeta: Quem é?
Amigo-Apaixonado-inseguro:Ela mora aí perto da tua casa, nunca viu ela por aí? O que tu acha dela?
Amigo-Apaixonado-inseguro: Eu não conheço ela.O que importa o que eu acho? Importa o que tu achas. O que vocês dois acham. Importa é que vocês dois se achem,ou percam, um no outro.




...


Diferente do primeiro, acho que já me perdi faz tempo...

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Por acaso o poeta se perguntou - Vale a pena valorar a palavra?
Por pura loucura o poeta se respondeu -E o que é que realmente vale a pena ser valorado?
Por silêncio ambos discutiram...
-Vale o que a vida nos fizer achar que vale.
-E o que você acha da vida?


...

domingo, 17 de junho de 2012

Arte visual.


         Nascemos com um quadro em branco e algumas cores básicas, como crianças só sabemos pintar à dedo mas, com um só dedo pintamos o se7e... Com dez então...

         Crescemos e aprendemos que as cores podem ser combinadas. Passamos então a criar o que sequer sabíamos que poderia existir, entre o sol poente e o mar surgem rosas...De repente, damos de cara com telas de textura áspera e irregular, nossos melhores pinceis perdem as cerdas e nossas mãos trëmem... Descobrimos então a arte abstrata, e notamos que são as mãos tremulas que tornam nosso trabalho único.

         Ficamos velhos e vemos a exposição de tudo que criamos na galeria da memoria. Notamos nossos erros e só agora eles parecem errados.Lembramos dos acertos, que muitas vezes eram irrelevantes até então. Finalmente, um pouco antes de fechar os olhos, percebemos que a arte está nos olhos de quem vê e não nas mãos de quem faz...





                                     ...





                                                          Vê bem quem vê além.

domingo, 6 de novembro de 2011

Por esta, por aquela, poesia...

O poeta usa a pena, e, sem pena escrevive o que ninguém vê...
Movido por sentimentos, poentes ou nascentes, atravessa por travessas e pontes, travessões e mentes...
Voa nas letras, com asas escritas à tinta, e se a pena cai, a poesia pousa, pausa, mas nunca é extinta...
O poeta porta a palavra que abre a porta... A chave de amor que a dor conforta...
Como poeta parto parado, tomo partido, e sonho acordado.
-Ei, ainda estás ai?
-Estou -Disse eu, que era ele até aquele momento.
-E por que sumiu? Não hão mais duvidas? Sem mais dilemas? Sem auto-contradições(automáticas)?
-Ainda está tudo aqui, em mim, em ti, na gente(exatamente por sermos gente)
-No meio dessa gente toda? E a urgência, pra onde foi?
-Pra longe, agora só tenho a calma(ainda que por vezes me inquiete)...

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Sinto muito, mas: Eu sinto demais.



Repetindo:


A dor me lembra que estou vivo.
A vida me fez temer a dor...
Adorei meu próprio deus: A felicidade.
Viver dói -Anestesia, por favor!
-Não! O velho já tinha me dito: Sentir é o que vale. Cancelem a morfina.
Prefiro sofrer conscientemente, não sou só mais um "feliz" entorpecido










*Não, eu não sou "infeliz". Só gosto de sentir. E não sinto muito por sentir demais.

sábado, 27 de agosto de 2011

Sobre olhares. (Olhares sonoros).



Acordei entediado: Como sempre, quis fugir.

Virei pro lado e me vi no espelho...

-Me aproximei-

Desejei profundamente quebrá-lo: sumir com os reflexos , tanto de mim quanto de meus atos.

-Me aproximei mais-

Percebi todos os objetos do meu quarto; principalmente meu violão: calado, só um violão que não estava sendo tocado naquele momento.

-Encostei a testa no espelho-

Olhei no fundo de meus próprios olhos, ou do reflexo deles...

Vi que havia alguma beleza. -São negros ou castanhos?-

De fato tenho olhos quase comuns...

Lembrei do que tinha visto ontem, e desejei jamais ter tido olhos...

-Mudei de idéia-

Não... Sem olhos jamais teria te visto, e sem ter te visto eu jamais teria tanta beleza em meu olhar...


*Algumas imagens tocam pessoas do mesmo jeito que algumas pessoas tocam violão... Mas o efeito dura mais em pessoas que em instrumentos. –O que não dizer que não passe-.



Sobre olhares.


Livros são mundos inteiros: seus países são capítulos; parágrafos são estados; e as palavras são lugares mais específicos: onde nos encontramos, ou nos perdemos mais ainda.

Naquela tarde eu era um astronauta... Cada estante me parecia um sistema solar: cheio daqueles planetas de palavras; e eu vagava fora de órbita por aquele universo de papel e tinta... Tudo que existe cabia naquela livraria, aliás: até o que não existe era cabível ali.

Ela entrou: com seus cabelos vermelhos, em cachos: uma cachoeira de flama; puxou um dos planetas -que estava escondido atrás de uma prateleira; possivelmente ela mesma havia escondido n'outrora-. Não consegui ver seus olhos: a haste lateral dos óculos impedia, junto com os cachos que caiam levemente por sobre seu rosto enquanto ela debruçava-se pra sobre o livro, agora aberto em suas mãos.

Pensei no que falar; pensei no que não falar; também me perguntei sobre o porque eu querer dizer alguma coisa... Até que, com medo que a oportunidade passasse e o momento se fosse, eu disse sem pensar:
-Nunca falei com ninguém só pela beleza... -Ela me lançou um olhar que era uma mistura de surpresa com desdenho, e voltou a ler- .
-Continuei: -Então eles são azuis... Azul gelo, certo? Acho adequado... Podes me fulminar com um olhar frio agora.
-Ela sorriu. Dessa vez de uma maneira condizente, e me olhou por cima das lentes:
-Espero que não faças nenhuma metáfora dizendo que meu olhar é um iceberg aonde estas à naufragar...
-Sorri diante da resposta. Ainda sorrindo respondi: -Não sou desses que querem amores de morrer, prefiro os que avivam... No máximo diria algo sobre como o azul gelo faz contraste com o vermelho flama dos teus cabelos, e, se depois disso teus olhos brilhassem, então eu soaria arrogante e diria que teus olhos são chama azul, e eles sendo chama eu sopraria-lhes as minhas palavras mais inflamáveis para que eles queimassem mais e me aquecessem, e enquanto houvesse calor eu me manteria ao alcance deles, mas se eles voltassem a ser gelo eu me afastaria... Naufrágios em olhos de gelo são muito cliché... É, isso seria o máximo que eu diria...
-Os olhos dela brilharam... E eu fitei-a esperando alguma resposta

Ela foi embora -como sempre-... As vezes imagino por onde e por quais motivos aquele olhar tem queimado... Nessas horas me sinto aquecido. Aquecido pela chama dos meus próprios olhos: olhando pro nada e vendo tudo, ou pelo menos tudo que vi naquele dia. Aquela visão me fez nutrir uma chama só minha. Viva.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Só uma.



Só uma... Só uma... *ecoando*

Eu queria só uma...

Mas não sei quem é, e, provavelmente não a conheço...

E se eu achar que é, e não for?

O jeito é tentar de novo...

E se eu achar que não era e tiver sido?

Só uma... Só uma... *ecoando*






Desde quando? Até quando? Por quanto tempo?

Desde ontem. Até não sei quando. Enquanto valer a pena.


terça-feira, 16 de agosto de 2011

A vida ocorre enquanto a gente corre.



Corremos desde crianças: seja atrás da bola, de pipas, ou só por apostar -pra ver quem é o primeiro a chegar-.

Corremos na adolescência: atrás de amores; de bandas de garagem; ou de passar no vestibular...

Corremos quando adultos: buscando dinheiro, querendo sucesso e tentando agilizar.

Um dia,
Cansamos...
Finalmente percebemos.
Sentamos sem pressa: Observando. Correndo atrás do que corria enquanto corríamos: O tempo -Perdido?- .
Dessa vez corremos parados: finalmente percebemos que a vida já corre demais, e que é burrice querer acelerar.



Ler livros é fácil: se não entendemos alguma palavra é só usar o dicionario, ou ver o contexto dela; se for neologismo basta imaginar.
Ler a vida sim é difícil. São tantas situações descontextualizadas, tantos silêncios eloquentes ; tantas reticências de um ponto só, de dois, de três, sem pontos ou com centenas deles.

Tantas entrelinhas em um olhar...


Quando se trata de pessoas, as vezes sou analfabeto.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A mãe embala o filho no balanço e,
A alegria do filho embala a mãe: Em um sorriso manso...
O filho pensa sobre a bala que quer mastigar;
-Deixa pra depois menino, isso vai estragar seu jantar!

A bola dança na grama e,
O muleque descalço é seu par...
Bailam e rebolam, driblando todo o salão
Uhh, quase foi gol: a dama bateu no travessão...

A poesia se embola com o dia;
E o sol desola o céu, se pondo quase ao chão...
Minhas palavras transbordadas no papel,
Insuficientes...

Boa parte do que eu vi se afoga em meio à imensidão.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011



Ah, meu quarto... Mais uma vez me acomodo nesse cômodo incômodo...
Como dói... Ou devia: se doesse, pelo menos alguma coisa sentiria... Na verdade não dói: A rotina anestesia.
Fico dormente; demente. Minha caneta no papel mente. Mente tão bem que acredita ser gente: Gente de letras em linhas -entrelinhas-; fora de linhas.
Me perco nas minhas palavras... -que deviam ser dela, ou já são- ...

Outro devaneio, mera quimera, outra ilusão.
Perdi
a
linha.
Me acho: Ainda estou no meu quarto. Dane-se, de poesia estou farto.




IMAGEM: O quarto De Van Gogh.

sexta-feira, 29 de julho de 2011


O sol nasce todo dia, e ainda sim é velho. Eu só nasci uma vez -exatamente há vinte anos- e dizem que sou novo...

Os anos? Os anos nunca importaram de verdade... A vida sim, tanto o que foi vivido quanto o que deixou de ser. Mas, o que deixou de ser?

A Partir de hoje sou como o sol. Afinal, a gente renasce em cada descoberta, em cada nova alegria.



"Remember when you were young, you shone like the sun..." (Shine on you crazy diamond - Pink Floyd)

terça-feira, 26 de julho de 2011

Pro inferno com a morfina.

Era um hospital de quinze andares bem no meio daquela metrópole -suja de sangue, álcool e fumaça; tudo misturado com o cheiro de suor-. Ele estava no penúltimo andar, na cama ao lado da minha, os curativos cobriam quase todo o seu corpo -fora alvejado por tantas balas que ficou parecendo uma peneira, com todos aqueles furos-; os remédios entravam por um tubo posto na veia do seu braço esquerdo junto com o soro, e o sangue saia em resposta: Por cada perfuração coberta daquele corpo desfalecendo.
Ele estava na cama da janela, e eu sabia que logo aquela cama passaria a ser minha... E, se não fossem aquelas transfusões que faziam, para repor o sangue que ele suava pelos poros, eu já teria visto o que tinha do outro lado daquela janela; então perguntei :
-Quando é que vais parar de beber o sangue alheio e partir de uma vez, vampiro de hospital?
-Isso também não me agrada, eu prefiro um bom wisky ou uma vodka. Mas, essa groselha que entra pelas minhas veias é que me mantem vivo, e viver é melhor que qualquer bebida.
Os enfermeiros tinham parado de dar as doses de morfina dele -eles usavam neles mesmos, ou vendiam-, e a dor era tão evidente na sua expressão que eu podia senti-la como se fosse em mim. Ecarei-o um pouco. Ele me retribuiu com um sorriso, cínico. Então continuei:
-Posso desligar os tubos se quiseres. Não vais passar dessa semana mesmo, e os enfermeiros viciados não vão mais te anestesiar.
-Não quero anestesia...
-Preferes sentir dor?
-O que mais eu sentiria aqui?
-Nada, as vezes é melhor não sentir.
-Idiota... -Podia-se notar o desprezo e arrogância no olhar que ele me lançou, e ele continuou... -Enquanto doer, vou saber que ainda estou vivo.
Calei a minha boca. Nenhum analgésico podia amenizar o que eu senti nos dias seguintes. O homem da cama ao lado sorria até o fim, contente por sentir. Ele me ensinou que isso era só o que importava.



*Me queime vivo ou congele-me até as coisas esquentarem o bastante para que eu derreta, mas não me deixe morno... O meio termo não me cabe, afinal se eu for grande vou passar por cima da cerca, e se for pequeno me esgueiro por baixo dela, mas, se for médio vou acabar preso... Eu, preso por uma cerca?

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Polissemia romântico-existencialista.


Sinto agora, e mais tarde passa...
Depois que já senti: sentido está, ou estava...
Não sinto ter sentido, não tem sentido sentir.
Sente-me, pois, sem ti me sinto só.
SENTIMENTOS: sentimos em momentos.

Passageiros... Viajando com um único sentido: Em frente.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Tentando acordar da realidade 3.



video (De play e ouça enquanto lê.)


De novo, e de novo e de novo: a velha vontade de sair me persegue, sem dificuldades já que eu fico aqui sentado.
Queria estar agora numa praça soturna, com um banco no meio, rodeado por árvores e mais ninguém; talvez alguém que tocasse violão, ou um violão que tocasse só... O fato é que eu queria ser tocado pela musica. - Poderia tocar eu mesmo, mas preferiria ficar imóvel-.
Faria um acordo com os acordes para que eles me acordassem dessa realidade monótona, muitas vezes vivida em piloto automático, e em troca eu daria a única coisa que posso oferecer humildemente à musica: Meus ouvidos. E ouviria, ouviria como se fosse meu melhor amigo falando, ouviria como se cada som fosse minha poesia favorita sendo recitada, ouviria cada nota notável dessa harmonia de viver.
A lua iluminaria, e a musica de fundo seria uma serenata espanhola chamada: spanish romance. Que cai perfeitamente aos ouvidos, nessa noite, seja só ou acompanhado.
É tarde, e me disseram que não é seguro sair a essa hora... Mas, o que na vida é seguro de fato? Viver é perigoso, mas quem evita a vida pra se proteger, corre um risco muito maior: O de não viver.

Talvez eu não queira só sair de casa, do meu bairro, cidade, estado ou pais... Acho que eu quero mesmo, é sair de mim.














Vídeo: Spanish Romance - Compositor anônimo, interpretado por Nelson Amos. Fonte: Youtube.

sábado, 9 de julho de 2011



-Pai, porque o senhor não tem pai também?
-... Eu tive, meu filho, mas ele foi pro "céu" ...
-Ah... Eu já ouvi sobre o céu... A mulher da TV disse que se seguimos o caminho certo, a gente vai pra lá... Fica ali ó! -Disse o menino apontando pro céu, e inocentemente achando que tinha dito uma grande verdade.
-O pai sorriu -
-O menino continuou -Qual é o caminho pai? Vamos por esse caminho, ai a gente visita o seu pai, e volta pelo mesmo caminho: não da pra se perder se voltar pelo mesmo caminho. É assim que a gente volta da escola todo dia: O senhor me leva pra ela, e me traz pelo mesmo caminho, é seguro.
-Uma lagrima desceu do rosto do pai, e ele não queria desapontar o filho, então sorrindo perante a genialidade imaculada do menino, ele disse - Filho, o céu é muito grande, e não tem uma porta. Todos os caminhos nos levam pra ele, e tem alguns que conseguem chegar lá mais rápido que outros... Ele fica lá em cima mesmo, você acertou - Então os dois olharam pro céu, que estava azul e com nuvens quase transparentes...
-Eu sei que é lá em cima pai, mas como a gente vai chegar lá? É mais alto até que as escadas da escola, e eu nem subo elas até o final! Eu tenho medo de altura...
-Não precisa ir até lá pra chegar... Não precisa ter medo, você tem medo de ficar em pé todo dia?
-Claro que não! Eu até corro e pulo, e eu adoro pular e correr! Mas eu sou baixinho... Não é alto o suficiente pra dar medo.
-Você é baixinho agora... Mas, um dia vai ser muito alto, e vai crescer um pouquinho todo dia, nem vai perceber que cresceu tanto... Só vai notar a diferença quando ver as fotos de quando era menor.
-Claro que não! O senhor riscou minha altura na parede, com aquele lápis, semana passada, é só eu ver se eu passei do risco... Mas eu não vou ter medo! Vou ficar bem grande, ai vou conseguir pegar os biscoitos que ficam naquele pote, em cima da geladeira!
-O pai riu -Isso mesmo campeão, vai conseguir pegar todos os biscoitos que quiser, e sua mãe nem vai reclamar. E é assim que a gente vai pro céu: Crescendo. Crescemos um pouquinho todo dia, no fim do ano a gente já cresceu o suficiente pra perceber. Passamos a vida toda indo pra cima, cada centímetro que crescemos faz ficarmos mais perto do céu, e quando você estiver do tamanho que tem que estar pra chegar lá, acontece algo inesperado, e você vai pra lá... Mas não precisa ter pressa, porque depois que cresce, não da pra diminuir, então quando a gente chega lá, não da pra voltar, nem pelo mesmo caminho.
-Nem com banho de água fria? A mamãe diz que minha roupa encolhe com água fria. Eu posso crescer, ir pro céu, tomar um banho gelado e voltar...
-O pai soltou levemente outra risada -Não, água fria só funciona com roupas. Então não tem volta mesmo.
-Ah, entendi! Então vou crescer bem devagar...
-Isso, bem devagar, as coisas acontecem na hora que tem que acontecer... E, falando em hora, é hora do almoço. Temos que ir, sua mãe vai ficar uma fera se atrasarmos.
-Ta bom! Eu to morrendo de fome mesmo. Depois do almoço o senhor pega um biscoito de cima da geladeira pra mim? Só até eu alcançar a lata...
-Pego...
E os dois foram pra casa, felizes, olhando pro céu e imaginando que gostosuras iam comer naquele dia.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Quero que queiras o mesmo que eu quero.

Eu já gritei a liberdade dos meus amores pra mais do que quatro ventos, já desisti de possuir e aboli minha escravidão sentimental.
Mas, agora é diferente, agora quero desistir disso tudo, só pra insistir em ti: Quero que rasgues minha alforria, ou compre-a com tuas palavras de poesia-feitiço, e ponha a euforia de sentir, aonde só havia a minha lógica covarde.
Sei que tudo tem um fim, mas mal começamos e já me fazes planejar - Não sou disso! -, queria, e quero: Que só queiramos um ao outro, queiramos juntos e queiramos sós, eu e tu sozinhos naquela rede.

sábado, 2 de julho de 2011

Escrevivendo, de novo.

Espero pra viver, vivendo...
Cheguei até aqui, e vim vendo.
Com minhas alegrias, simples companhias, sejam elas seres vivos, ou não...
Quero sempre algo diferente, mas por vezes me acomodo...
E de que modo não faria? O que buscar?
Amor? Amigos? Novas sensações?

Viver é o que o cérebro interpreta de experiências sensíveis, quem nada sente, já morreu.



Escrevi o que vi
Escrevi no vir, no estar e no ir
Escrevi, vi
Escrevi, vendo
Escrevi, (vem) ver
Escreveria mesmo que ficasse cego;
Escreverei até eu morrer.

Já amei, e sei como meu amor funciona: Ele é livre, não me julgo dono dos meus amados, sejam eles vivos ou não; pessoas, animais ou objetos só os quero em minha vida, com a freqüência que à eles for possível e agradável, desde que ainda exista alguma freqüência.

Não acredito em amor a primeira vista, porque primeiras vistas enganam, estão sempre com o bônus da novidade, e o novo –enquanto ainda o é- surpreende e cativa...

Enquanto as surpresas renovam-se, apaixono-me cada vez mais... Mas, a paixão é temporária e irracional, e com o tempo, acabo pensando por demais, e racionando-a por medo de acabar... Porém essas chamas precisam de muito pra queimar, e se diminui-se seu ar, ela começa a apagar, ou pior, sufocar ...

Algumas das paixões viram brasa... E ainda aquecem, aconchegantemente, sem fazer suar nem deixar-me no frio, não são mornas, mas são na medida certa... E essas podem virar amor, as brasas que nunca deixam de incandescer...

Amor não causa dor... Mas me dôo, justamente por não me doar...

Quero alguém que me ame, do jeito que eu amo... Quero sentir junto, sem posses, ficar a deriva do sentimento... Ao mar... Ao vento...

Murmúrio

Sopra, se é amor, deixa à mar...

Na vela ele navega e queima...

Pois ambas as velas, como meus pulmões,

Se alimentam desse ar...

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Diálogo de um homem só.

Tarde de sol, cedo e só...
"Folheio" a agenda digital do meu celular, mas ninguém está disponível...

- Por que não ir só?
- Porque nós estamos solitários... E é aquela solidão boa de se curtir acompanhado...
- Mas, temos uma mochila, um caderno, uma caneta e umas moedas pro ônibus... Do que mais precisamos?
- De um lugar...
- Pra que? Se sairmos sem rumo, qualquer rumo será o certo... E além disso, não somos nós que dizemos que o que importa é ir, e não chegar?
- Somos... Mas a musica esta tão boa aqui... O Oswaldo me entende...
- Se sairmos, podemos conhecer melodias novas, pessoas novas e até "ela" ...
- "Ela" ? Ela é só temporária... É sempre só uma delas, e nunca é nossa, pelo menos não só nossa...
- Também somos nós que odiamos quando uma pessoa tenta possuir a outra, ou esquecemos disso?
- Não nos deixamos esquecer...
- ...
- Porque estamos usando travessão, se somos a mesma pessoa falando?
- Pra atravessar... De um lado da gente pro outro, pra ligar os dois extremos... Além disso, seria loucura um diálogo sem travessão. Não se saberia quem esta falando, quem pergunta ou quem responde.
- E aqui se sabe? ...
- ...

*E eu fui só, ou melhor, nós fomos, todos nós, não só os dois da conversa... É, nós continuamos indo, as vezes até sem sair do lugar... Mas sempre indo...




"Eu hoje acordei tão só, mais só do que eu merecia... Eu acho que será pra sempre, mas sempre não é todo dia ... " (Oswaldo Montenegro - Sempre não é todo dia.) .

segunda-feira, 13 de junho de 2011

escrevivendo.


Escrevo na minha mesa, de lápis...

Escrevo para que o que eu escrevi se apague, junto com os motivos que me levaram a isso...

Bem devagar...

Conserto os erros... Com meios riscos, que não encobrem totalmente com as falhas...

Concerto os eros como se escrevesse de caneta, como se escrevesse do modo que vivo.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Linguagem pra ser vista .











Texto 1 - Vendo o tempo por um tempo.







Olho pro tempo, e nada vejo, ou melhor, vejo tudo, já que tudo passa pelo tempo... Ou o tempo passa por tudo... Ou tudo vira(rá) passado ...






Faz tempo que o tempo me faz...
Faço tempo quando tenho a falta do que fazer...
Temo que falte tempo quando estou com você(s)
Meu prólogo se prolonga enquanto em prol do futuro narro -e faço- coisas no presente...
Em presente Me dou pra ti, só quando e o que posso dar...
Meu pretérito imperfeito me ensinou o que não fazer, e o pretérito mais que perfeito tinha estado me iludindo, até eu esquecer...



Texto 2 - Olhando juntos.

Todos que podem, deveriam olhar o seu(

Todos que podem, deveriam olhar o sol...

Todos que podem, deveriam olhar a lua...

Todos que podem, deveriam olhar o céu...

) universo.










Todos vêm ao mundo, veem e são vistos, se não com os olhos, veem com as mãos, veem com os ouvidos, veem com o paladar e com o olfato, veem o que vier a sua visão, todos juntos, veem e ainda assim, as vezes não enxergam...

Se todos abrissem as suas vistas a outros modos de ver, talvez víssemos melhor, e veríamos o inteiro, veríamos-nós a nos mesmos... Juntos.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Barganhas mal feitas(capitulo 1).

Algumas Historias, sejam reais ou não, tem continuidade... Quem sabe essa seja uma delas ... Ou não...

E estava eu dormindo... Pelo menos creio que dormia, afinal tudo foi muito estranho e difícil de lembrar... Talvez saber que eu dormia, ou que eu achava dormir fosse apenas uma estratégia daquele ''negociante'' de ''produtos raros'' que mesmo sem eu saber me contaria algumas coisas interessantes, e me faria ofertas até que razoáveis logicamente, mas que a maldita ética me inibiu de aceitar.

Naquela noite, enquanto eu tocava em frente a minha casa, esse estranho (em todos os sentidos da palavra) apareceu, me perguntando diretamente, sem nem um oi, e dispensando apresentações a principio.

- Qual o preço da sua alma?.

Eu sorri, e achei que fosse alguma brincadeira mal feita de algum conhecido que eu tivesse me esquecido de conhecer, mas ele não sorria, nem demonstrava qualquer coisa que me fizesse duvidar da seriedade dele.

Eu parei de rir, e perguntei quem era ele(além de me questionar mentalmente se ele tinha usado alguma substancia química...). Ele então finalmente moveu os lábios em sinal de cumplicidade, e disse:

- Alguns de vocês me chamam de demônio...

Eu não me assustei, afirmei a ele que eu sequer tinha fé em deus, muito menos acreditaria em demônios. O suposto homem que antes parecia são, e que agora adquiria pra si um ar de psicopata calculista afirmou:

- Deus existe meu caro. Ele talvez não seja como vocês pensam, mas até eu acredito nele, você não deveria renegá-lo.

Mais uma vez as palavras do aliciador soavam como chacota ou sarcasmo (achei isso naquela hora por eu mesmo ter esse tipo de comportamento às vezes). Novamente a pergunta foi exposta a mim:’’diga o preço de sua alma, todos tem um preço’’ respondi com um balançar negativo de cabeça pronunciando um não sem nenhum som.

O misterioso homem que tinha um estilo de poeta decadente com “metáleiro clássico” insistiu:

- alguns querem dinheiro, outros querem amores que pra eles sozinhos seriam impossíveis, outros querem talento... E você? Pelo que me daria sua alma? Entenda... Minha proposta é ótima, uma vez que você não acredita em paraíso ou inferno, isso aqui é tudo que há pra você, escolha algo que faça tudo isso valer à pena, que te de um sentido pra estar aqui, pelo menos acabaria com sua ansiedade por respostas... E eu só cobraria quando você morresse.

Ocorreu-me então a única coisa que seria prudente pedir em troca da minha alma, uma alma única, a minha favorita e a mais preciosa pra mim, a minha alma! . A resposta foi direta e cheia de pré-potencia por eu achar que desarmaria alguém que se achava superior: ’’ quero a imortalidade pela minha alma, se eu posso pedir qualquer coisa, é o que eu quero, assim não tem como tomá-la de mim há menos que eu morra... O que seria um tanto impossível se me desse o que eu peço...

O mercador parou por um instante para pensar, acho que não encontrou nem uma replica plausível para as minhas condições, resolveu-se então por mudar o preço dele, uma vez que se ele aceitasse não iria receber nada, e ele não me parecia o tipo de pessoa (ou criatura)que faz caridade... Com um segundo sorriso, dessa vez mais seguro de si e cruel disse:

- muito bem, mas se o seu preço é tão alto... você vai ter que me pagar a prestações...

Indaguei:- prestações? Como poderia eu pagar minha alma parcelada? Ela por acaso é divisível? O sorriso dele aumentou, e eu ouvi um principio de gargalhada, que finalmente me assustou um pouco...

Ele completou a gargalhada dizendo: - Com a alma dos seus filhos. Você pode viver pra sempre, mas cada filho que você tiver, ao morrer me deverá a respectiva alma que você não poderia pagar, como dizem por ai, dividas de família morrem na família...

Toda minha arrogância que se devia a achar que as minhas condições não tinham chance de falhar, se esvaia com aquelas palavras...

Eu não tenho filhos, não os tinha nesse ‘’sonho’’ e nem tenho planos de ter-los, mas ainda assim jamais negociaria algo que não me pertencia. Por mais que os filhos só existam por causa dos pais, eles são criaturas livres(na medida que o mundo permite-lhes liberdade) e a posse de suas almas só caberia a eles e não a mim. Perguntei então por que o interesse dele era tão grande na minha alma. Então o sujeito até aqui sem nome, mas que por acasos do destino tinha um boton em forma de estrela que brilhava preso a jaqueta o que me deu a idéia de chamar-lo de ‘’star of light’’* (em latim é mais ‘’engraçado’’) respondeu:

- não faria diferença pra você, e mesmo que fizesse, não cabe a mim dizer-lhe,digamos apenas que você ao sonhar com a imortalidade não pensou em como tediosa ela pode ser, e alguns dos que nunca morrem gostam de fazer apostas as vezes...

Depois de refletir sobre o que ele me disse por um tempo pequeno mas que parecia interminável(o tempo nos devaneios é psicológico, e dura muito mais para quem esta pensando do que para quem espera pelas respostas). Disse-lhe:- Não, a resposta é não, eu posso ser mortal, posso não entender a razão das coisas e posso querer realmente prolongar essa única versão conhecida por mim da realidade... Mas, brincar com a vida das pessoas, ou com a alma delas, isso não é humano, seria preciso que eu fosse um psicopata imortal extremamente entediado... deixo esse tipo de ‘’passa-tempo’’ macabro para aqueles que tenham versões mais ‘’tortas’’ do que é certo’’.

Então acordei... fiquei em duvida se aquilo havia sido um sonho ou pesadelo... Mas tarde eu descobriria que era só o começo, Como dizia o poeta: “ Existe o certo, o errado e todo o resto”

* Star of ligth/star of morning: Significa estrela da manhã, comparada com a estrela d’alva ou Venús, em latim :’’Lúcifer’’

Autor: José Amilton

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Eu's mEUs.





Cada pessoa que passa por nos, nós da um pouco de si...
mas são tantas pessoas que vem, e vão...
que no fim todos esses poucos se tornam muito...
Tantos ''eus'' que não eram meus, e que agora apresento como parte de mim...
Sou tanto de mim quanto de todos que ja conheci.


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"Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos do que eu, porque a vida só se da pra quem se deu...Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair. Pra que somar se a gente pode dividir?..."